Uncategorized

Na Natureza Selvagem – Kalunga

Com todas as reviravoltas que a minha deu de 2016 para 2017, este ano me vi mais conectada com a natureza e estou experimentando a oportunidade fazer algo novo de impacto social. Faz pouco tempo que eu entrei para o Litro de Luz e tive a oportunidade de receber uma das melhores recompensas do trabalho social: o impacto emocional.

DSC_0293

A minha primeira experiência de visita local no Litro de Luz aconteceu na primeira semana de julho, fui com o pessoal visitar a comunidade Kalunga que fica no interior do Goiás, próxima da cidade Cavalcante (confesso que nunca me imaginei viajando pelo Goiás, mas é a segunda viagem que faço no estado).

Quando soube da visita eu fiquei naquela “Should I Stay or should I go?” Eu estava com uma possível viagem para Pirinópolis ficar de boas ou poder ir para a comunidade Kalunga e vivenciar uma visita da ONG Litro de Luz, e fui na segunda opção.

Titubeei, afinal:

  • Viagem de 3, 5 horas até Cavalcante + 3,5 horas na estrada de terra até à comunidade Kalunga;
  • Viajar com pessoas que só havia visto duas vezes na vida;
  • Ficar sem banho (de banheiro), energia elétrica (internet, telefone);

Mas eu estava editando o site e senti que a gente precisava de fotos, e de última hora eu me escalei para ir, mas tinha receio sobre a ideia de ficar longe de tudo, sem eletricidade e com pessoas que mal conhecia. Falei com uma das líderes da ONG que fez um alinhamento comigo por telefone, ela me explicou e conversou bastante sobre a comunidade e já me senti animada para ir.

A Viagem de 7 horas 

Tem coisas que só acordar cedinho proporciona: as cores da manhã. Estava ali acordando, ainda estava escuro por volta das 6h da manhã. O pessoal ia chegando, o sol também, e logo mais pé na estrada.

Estrada - Goias

Vi mais uma vez o sol nascer no cerrado, e olha, que coisa linda é o céu do cerrado. Os tons de laranja que surgem, naquela imensidão de horizonte que o DF tem. É lindo, gosto de ver o sol nascer na janela. Do carro,  um Jeep topzeira, então é ainda melhor.

Ficar off-line 

O detox de internet é sempre bom, a gente vive tão ligado em internet, em contato que esquece (uns nem sabem como é) como é ficar sem olhar o telefone o tempo todo ou publicar sobre qualquer bobagem que tenha acontecido no dia.

whatsapp-image-2017-07-02-at-21-07-01.jpeg

Fato é que a viagem junto ao Dramin me fizeram dormir na ida, acordei algumas vezes, bati um papo, ouvi a música super legal que o Júlio, o presidente (explico mais a frente) dono do Jeep, tinha e compartilhou com a gente.

A correria para fazer as atividades que a gente tinha para fazer e aproveitar ao máximo a luz natural fez com que ninguém nem parasse para pensar em pegar o celular. Confesso que eu pensei que haveria tempo para me sentir entediada, já que ficaria tanto tempo off e no mato…nem de longe!

Aproveitei a oportunidade e me comuniquei via rádio durante a viagem, só para sentir a sensação. Copiou?

A comunidade Kalunga 

Os Kalungas representam a resistência negra no Brasil, eles são a a maior comunidade quilombola do país, localizada na região da Chapada do Veadeiros, no interior do Goiás próximo da fronteira com o estado do Tocantins .

dsc_0169.jpg

Nosso acesso foi através da cidade Cavalcante, uma cidade pequena, bem cidade de interior mesmo, não tinha sinal da TIM, (só da VIVO), nos recomendaram levar dinheiro por ser difícil o acesso às máquinas de cartão. A região é cheia de cachoeiras belíssimas, o turismo ecológico me parece ser o que movimenta a economia local.

Pensar que existem comunidade quilombolas ainda hoje é uma prova de como o nosso país é um lugar de extremos e como a história dos escravos ainda é recente. Chega a ser um paradoxo pensar que tão próximo da capital do país, de um lugar onde se desvia milhões e milhões de reais, tem gente que vive de forma tão simples que nem energia elétrica tem.

O contato com a comunidade

O pessoal do Litro de Luz já havia feito visitas anteriores, mas para mim era tudo muito novo. Eu já participei de trabalhos sociais, de entrar em contato com uma comunidade que vai receber algum trabalho social, no entanto, com uma comunidade quilombola que não tinha energia elétrica era a primeira vez.

DSC_0046.JPG

Nos atentar para a maneira de falar, para o modo de agir, e exercitar a empatia e se colocar no lugar do outro. É delicado, saber respeitar e ouvir o outro, deixá-lo à vontade no espaço dele que estamos adentrando…é complicado. É preciso muito tato.

Ao chegar na escola havia alguns moradores, estavam tímidos, acuados. Eu não sabia como agir, chegar e falar, conversar. Esperar para que alguém do Litro iniciasse o contato? Bem, aos poucos fomos chegando, trocamos algumas palavras.

Gosto de pensar que é uma situação de que haverá um troca. Haverá um benefício local (me questiono como a luz vai impactar na vida dessas pessoas) e em retorno vamos aprender mais sobre eles.

A Atividade do Litro de Luz 

Antes de acontecer a ação de instalação de postes e lampiões, várias visitas são feitas na região escolhida.  É preciso conhecer os moradores, entrar em contato com os líderes do local, mapear a região e tentar prever as dificuldades para que a ação aconteça da melhor forma.

DSC_0159.JPG

Eu fui para fotografar a região, mas em um trabalho voluntário você precisa estar disposto para tudo,e como diria Maria Rita “eu sou pau para toda obra, Deus dá asa à minha cobra”. Nos separaram em grupos e eu fui fotografar e auxiliar no mapeamento das casas que vão receber os postes.

A gente chegou no alojamento, que é a escola da comunidade, por volta das 14h e fomos almoçar, por sorte tinha um almoço pronto lá e pudemos comer juntos. E ganhamos tempo. Tivemos uma pequena reunião e os grupos foram começar as atividades.

A vontade inicial é sair de casa em casa, conhecer um pouco da história das pessoas, perguntar, tirar foto, e sentir as necessidades daquela pessoa e saber como a luz vai modificar a vida dela. Mas o tempo era curto e a gente tinha apenas a luz do sol para nos ajudar até às 17h30! Conseguimos visitar a casa de algumas pessoas mesmo assim.

Essas casinhas brancas com janelas azuis são do projeto da AGEHAB, que construiu as casas dos moradores do local que tiveram as suas casas tomadas com a enchente do Rio Prata uns anos atrás.

DSC_0148

Conseguimos mapear a região, um pouco corrido, atravessamos o Rio Prata dentro do Jeep (foi emocionante, hehe). Conseguimos conversar com alguns moradores, que foram super receptivos com a gente.

Eu gosto de fotografia, mas nunca fiz curso algum. Fotografar dentro do carro, com carro em velocidade, fotografar pessoas e horizontes não são comuns para mim. Foi um exercício. Ficava entre olhar com meus olhos e com as lentes.

A noite sem luz

Ao chegar na escola nos deparamos com o poste do Litro de Luz instalado! O primeiro poste na comunidade Kalunga! Já tinha pouca luz do sol, era quase 18h estávamos todos cansados e sujinhos, todo mundo queria aquilo que todo mundo quer no final de uma jornada “um bom banho, comida e dormir”.

dsc_0204.jpg

O nosso banho seria no Rio Prata, mas já era noite, não pudemos ir. O risco de cair, ter bichos e possíveis problemas nos fizeram dormir sem banho mesmo. O pessoal do Jeep Clube encarou o banho de Rio no escuro, eles são mais roots que a gente.

A comida foi feita com a iluminação dos lampiões do Litro de Luz, pudemos contar com o poste e com uma lâmpada noturna na sala que dormimos. Viver sem luz é realmente difícil, ainda mais quando nascemos acostumados a ter noites longas e iluminadas. Trocas de roupa, escovar os dentes e comer com pouca luz. É um tanto quanto difícil pensar que naquela comunidade pessoas viveram a vida toda assim.

O bonito foi ver a noite estrelada, um céu tão iluminado. Tive a experiência de ver o poste do Litro iluminando uma região que nunca teve energia elétrica, o ponto de luz reuniu todo mundo.  Para completar uma fogueira improvisada pelo presidente (o Júlio parece o Indiana Jones, estava com um casaco escrito Presidente, e claro, todo mundo tem que respeitar um cara como ele, hahaha).

E uma noite com histórias que todos contavam, riam, sem interferência de mensagens de whatsapp, sem internet e nem nada. Estávamos ali todos, sendo humanos, sem interferências modernas. Me senti despida da necessidade de estar conectada, não me incomodou como achei que fosse me incomodar ficar sem banho, comer ali, sentada num batente com um prato e talher de plástico, percebendo o quanto a gente não valoriza os nossos objetos do cotidiano e a vida que temos. Para muitos comer numa mesa, com louça e luz é um verdadeiro luxo.

Ao dormir eu percebi que pela janela quebrada eu conseguia ver as estrelas, nenhum barulho de carro, apenas da natureza. Que momento. O senso de coletividade ali, todos  pensando no bem estar do outro, ajudando a se proteger do frio, tornando, ou tentando pelo menos, que a noite do outro fosse mais confortável.

Acordar suave

Acordar e olhar o celular só para ver a hora, nem podia ver a temperatura. Sentir a luz do sol logo cedo, ver as cores que se formam com a luz do dia. Nos reunimos mais uma vez, realizamos mais atividades (analisamos a escola toda) e voltamos para casa.

DSC_0259

E por sorte, resolvemos tomar um banho antes de voltar. Uma parada no Rio Prata, de fato era um banho no Rio por necessidade e não apenas tomar banho de Rio por diversão. Nem liguei que o meu cabelo estava duro de tanta poeira, e ficou um fuá depois do banho de Rio.

Voltamos

Fomos apreciando a natureza, vi pássaros que jamais tinha visto, vi um tucano voando baixinho. Vi raposa e outros animais que não sei identificar.

Paramos em Cavalcante para um almoço, já por volta das 15h da tarde e chegamos à Brasília por volta das 19h. Cheguei em casa por volta das 21h. Estava super cansada, a viagem é cansativa, mas chegar em casa e encontrar a cama quente, comida, luz, banho quente. Tudo toma um novo significado.

 

Advertisements
Uncategorized

20 e tantos anos

kalunga09.jpeg

Na mulher que eu sonhei ser estava um mulher aventureira, que anda por aí sem medo, independente, que se joga no mundo. Por um momento achei que eu não fosse ser essa mulher, mas ela sempre surge, forte e desprendida, e acabei encontrando ela vivendo um extremo de aventura no Litro de Luz.

Participar de trabalho social é algo que sempre quis, porque eu cresci vendo a pobreza de perto. Eu pude viver extremos, e me sinto sortuda por isso, a visão de mundo que eu tenho hoje ampliou graças à infancia no Nordeste. Nasci numa região pobre do país, cresci no interior de Pernambuco, vivi a seca, cresci precisando racionar água, era normal ver gente pendido comida na porta de casa… vi muita pobreza de perto, quase que de uma forma banalizada. Mudou muito no governo Lula, digo porque vi, mas a pobreza vem de muito tempo, e ainda tem muita coisa que precisa ser feita.

O outro extremo foi ter morado na Irlanda, e vi e vivi uma vida totalmente diferente da que eu conhecia, costumava dizer para os meus amigos irlandeses que eles viviam uma vida surreal em relação ao que eu já conheci, e segue sendo surreal. Mas no Brasil a pobreza e a riqueza coabitam o mesmo país. Saí do Nordeste, fui morar em São Paulo, e só via pobreza lá quando ia no centro, quando via gente nas ruas. Me chocou de início, ver que a pobreza em São Paulo é banalizada, fecha-se os olhos e segue no ritmo apressado da vida que não pode perder um minuto.

Quanto mais eu me distanciava da realidade que eu sabia que existe longe dali,  crescia em mim a indignação de ver que muita gente vai nascer e morrer na pobreza, gente que jamais vai ter acesso a um conforto na vida, muitos se quer sabem o que é conforto. A vontade fazer algo e contribuir com o meu tempo, com o meu saber, ou seja lá como fosse para melhorar a vida das pessoas esquecidas e anônimas me inquietava. Precisava encontrar uma forma de ajudar. São tantos problemas que se a gente não focar em um, a gente senta, chora e desacredita. Mas me inquietava, como eu poderia contribuir para melhorar o mundo?

Bem, percorrido os caminhos da nova mudança que foi vir para Brasília por motivos diversos, estava tateando o novo lugar, a cidade hostil (sim, Brasília é difícil) e minha irmã já sabendo das minhas inquietações e eu sempre com essa vontade de querer resolver problemas (coisa inata do designer)  me falou do Litro de Luz e da presença deles em Brasília.

Olhei o site e me inscrevi para ser voluntária. Pouco tempo depois estava eu num sábado de manhã no Parque da Cidade (naquela imensidão) para encontrar um monte de gente nova que eu nunca havia visto na vida,  para saber mais sobre a ONG e as pessoas que participam dela.

E claro, achei ainda mais interessante: uma tecnologia social sustentável que leva luz para as pessoas. Não podia ser melhor! Encontrei ali uma oportunidade de fazer algo totalmente novo e de impacto social, uma forma de depositar a minha vontade e energia de ajudar. Foi também uma forma de encontrar razões importantes para me relacionar com a cidade nova (e hostil).

Eis que acabei me inscrevendo para ser membro fixo da ONG, depois da seleção fui aprovada 😀 e já estava ali, me engajando e querendo contribuir de toda forma!

Então chegou o dia de poder ir participar de uma visita à comunidade que vai receber a uma super ação do Litro de Luz Brasília em Setembro. Nesta visita eu pude ter contato com as pessoas que precisam de tanta coisa que para gente é tão básico, e saber que vou poder contribuir levando luz, algo que nunca imaginei viver sem, isso me fez me sentir alguém que contribui para o mundo de uma forma boa e importante. Isso me motiva muito!

 

 

Uncategorized

Pesquisa de comportamento e os insights para as marcas

Pare por alguns segundos e pense em coisas do seu cotidiano como: comprar, ouvir música, ir de um lugar ao outro, comunicar com os amigos, assistir filmes, ler livros, tirar uma dúvida, entre outras coisas comuns do cotidiano. 

Se você é da Geração Y ou de uma geração anterior vai notar que nas últimas duas décadas muitos dos seus hábitos continuam os mesmos, mas como você faz tudo isso mudou. Vivemos em uma Era digital, nossos hábitos de comportamento e consumo estão sendo remodelados a cada dia. Novas tecnologias surgem e com isso novos produtos e novidades estão modificando antigos hábitos e proporcionando novas experiências.

 money lots review reviews amazon GIF

Diante de tantas novas novidades, as marcas que quiserem se manter no mercado precisam mais do que acompanhar estas mudanças, precisam prevê-las. Saber como a tecnologia está afetando os seus consumidores e como tem modificado os hábitos de consumo e comportamento do seu público. As marcas que acreditam que anos de mercado é suficiente para manter-se firme no mercado podem perder um público cada vez mais consciente e em busca de novidades.

 lisa simpson season 6 talking episode 19 circus GIF

As mudanças tecnológicas lançam novos produtos no mercado ao mesmo tempo em que tornam outros obsoletos.  Neste ritmo acelerado, acompanhar o espírito do tempo é fundamental para as marcas se manterem atualizadas e continuarem a satisfazer o seu público, satisfazendo velhos hábitos, mas talvez através de uma nova tecnologia. É preciso saber como a sua marca pode acompanhar a evolução tecnológica e continuar a ser relevante para o seu consumidor.

Com novas tecnologias surgem novas necessidades, os hábitos se modificam e em consequência surge a necessidade de novos novos produtos também. Por exemplo, ouvimos música desde muitos séculos atrás, este hábito permanece e deve continuar, mas se observarmos os hábitos de consumo da música nos últimos 40 anos teremos diferentes mídias:  vinil, fita cassete,  MP3 até chegar na música via streaming.

Bose music future headphones listening GIF

Para não ficar fora, as marcas precisam acompanhar o seu consumidor, estar a par das novidades, prever as necessidades ou até mesmo satisfazê-las antes mesmo que venham a surgir. Para saber sobre os hábitos de comportamentos de consumo do seu público é preciso investir em pesquisa.

A internet tem facilitado a relação entre consumidores e marcas, nas redes sociais ambos se conectam e estreitam seus laços, e os consumidores se sentem cada vez mais à vontade para expressar a sua opinião. Com isso, as pesquisas qualitativas contribuem para o entendimento destas opiniões.

 facebook twitter social media GIF

Das minhas experiências com pesquisa de comportamento e consumo, afirmo que na maioria das vezes surgiu um insight maravilhoso a partir do discurso dos participantes. A pesquisa exerce também a função de validar uma informação sobre a marca, e assim descobrir se o público está recebendo a informação desejada, ou ainda, sobre uma falha de comunicação que precisa ser resolvida. Seja a pesquisa etnográfica ou netnográfica, um bom relacionamento de marca se constrói quando se conhece bem o seu consumidor.

 Gifs: https://giphy.com

Uncategorized

Dear White People e o tapa na cara branca.

Precisamos falar sobre Dear White People. Eu pensei algumas vezes antes de escrever sobre o seriado (assista o trailer);  primeiro porque eu não sou negra, e sei que ao falar do tema eu corro o risco de ser a branca de turbante, o que não quero ser. Enquanto mulher reconhecida socialmente como branca que nunca sofreu preconceito por causa da cor e jamais sentiu na pele o que é sofrer preconceito, quero falar como é importante e impactante assistir Dear White People para fazer uma autoanálise, para reforçar a empatia.

Como disse um amigo no Facebook, somos estruturalmente racistas e creio que machistas também, homens e mulheres, em maior ou menor grau. Somos assim porque crescemos em sociedades que perpetuam isso, seja romantizando ou satirizando. Quantas vezes a mídia não romantiza a escravidão ou ridiculariza a mulher ou banaliza a violência?

Ao falar de Dear White People (ou Cara Gente Branca), quero dizer o que tenho feito para melhorar e me livrar do racismo arraigado socialmente construído em mim, em todos nós. Reconhecer que somos racistas sim, porque crescemos assim, mesmo que nos fossem ensinado o contrário em casa ou na escola, a mídia nos diz o contrário. E ver através da mídia uma possibilidade da  quebra deste paradigma é  no mínimo necessário.

O preconceito está pode estar nas entrelinhas. Reconhecer que nosso vocabulário está recheado de termos racistas, que muitas vezes falamos sem nem saber, é importante rever e mudar isso. Quantas vezes você usou um termo machista na vida? Ou homofóbico, ou ainda, racista? É preciso ter cautela, rever nosso vocabulário, nossas atitudes. Sugiro o link: 18 Expressões racistas que você usa sem nem saber.

Resultado de imagem para dear white people gif

Alguns dizem que o mundo ficou chato porque não podemos falar um monte de coisa que falávamos antes. Pois bem, o mundo parece que ficou mais inteligente, e  parece que vai melhorar. Estão surgindo cada vez mais filmes que esfregam na nossa cara branca a realidade, destaco dois filmes que tem no Netflix e me impactaram bastante: Histórias Cruzadas e a A Vida Secreta das Abelhas. Além de serem dramas maravilhosos, as temáticas sobre preconceito de: cor, gênero e condição social são descritas com maestria.

É preciso impactar, trazer desconforto, confrontar

Como deve ser cansativo ter que lutar sempre, e muitas vezes em uma luta solitária para simplesmente ser quem você é, ser respeitado e ter seus direitos respeitados, não é mesmo? Sam, personagem de Dear White People,  fala isso. E realmente, deve se exaustivo ter que lutar sempre. Eu, enquanto mulher preciso lutar contra o machismo, tenho que ficar sempre munida de argumentos e ligada em qualquer atitude machista, isso cansa. Imagine a mulher negra, imagine a mulher negra da periferia, a mulher negra da periferia mãe solteira, a mulher negra da periferia lésbica…que tal ter empatia por elas?

Resultado de imagem para The help gif

Em Dear White People há um episódio em especial que mostra o privilégio do branco frente a um negro, em uma cena que acontece em todo lugar me remete a um teste importante para quem diz que não existe preconceito: teste do pescoço. O preconceito existe, é real. O seriado nos faz ver isso, e realmente é wow, right on your face! Ao longo da série você vai lembrar imediatamente de algum episódio da vida real, com certeza. É hora da autoanálise, rever e melhorar.

Busco praticar a empatia na vida. É preciso se colocar no lugar do outro, ou correremos um alto risco de vomitar um monte de pré conceitos e/ou simplesmente ser uma pessoa horrível mesmo. Rever cada atitude, cada palavra e gesto. Que venham mais filmes, e séries, e que a mídia operem nesta importante quebra de preconceitos. Que incomode, nos tire do conforto, nos faça pensar, nos tire da bolha. Não é questão de amor ao próximo, é questão de empatia.

Uncategorized

#Girlboss se teu conselho fosse bom tu vendia. E vendeu.

GB

Ganhei o livro #Girlboss e acredito que se não fosse presente jamais chegaria a comprá-lo ou se quer ler algo a respeito. Porque não é o tipo de livro que me atrai,  gosto de ler clássicos, dramas e ficção cheio de teorias conspiratórias e assustadoras. Mas li todo rapidinho, é uma leitura simples e fácil. Tenho algumas ressalvas, mas de uma forma geral eu gostei, o livro foi importante para me despertar para algumas coisas da vida,  e talvez por isso tenha mexido tanto comigo. Consegui extrair bastante dica interessante que inclusive destaquei com fitinhas e caneta rosa.

O livro chegou para mim direcionado, foi presente da minha irmã (que desempenha bem o papel de irmã mais velha). Ela nem sabia bem sobre o que era, mas era um livro e parecia ser sobre emponderar então ela acreditou que fosse uma escolha, e foi. Caiu como uma luva para mim. Tudo que destaquei no livro Tássia já havia me dito a vida toda, mas foi interessante ler que o pensamento de uma #girlboss é aquele mesmo,  é preciso ser mais power girl nessa vida.

Sophia Amoruso ensina como sobre como ser uma #Girlboss e como ela que se tornou uma empresária milionária CEO da marca Nasty Gal (confesso que não conhecia a marca até então), claro ela tem os seus privilégios de branca, americana, e preferi não problematizar isso e busquei ver o melhor do livro antes de torcer o nariz. Durante a narrativa ela destaca pensamentos sobre acreditar em si, ter garra, foco, se divertir, ser você mesma, saber lidar com dinheiro, e também ser meio filha da puta às vezes para conseguir ser essa mulher de sucesso que ela se tornou. Esses são os conselhos que ela passa enquanto conta a própria história. E esperta e com alma de empreendedora que é, ela resolveu transformar isso em um livro e vendeu os conselhos para gente. De uma forma geral, resumo o que achei positivo e o que achei negativo.

#Positivo

São repetidas as vezes que ela fala sobre ser independente, ser foda, acreditar em si mesma, ter um foco e se dedicar muito naquilo que a gente acredita. É importante ter alguém que diga isso sim. Embora a gente saiba que é assim que deve ser, não é tão simples ter essa positividade toda, ainda mais depois de alguns percalços. Muitas mulheres tem esse poder de se manter positiva, e resolvem espalhar para as outras que elas precisam ter esse poder também,  e isso é ótimo! Porque apesar de tudo  “it’s a men’s world” e pode ser bem cruel. É preciso ser forte, acreditar no seu potencial, se empenhar em melhorar e ouvir e acreditar muito na Beyoncé.

As dicas sobre carreira aparecem de forma bastante didática. Ela fala sobre empregos nada a ver e como extrair o melhor deles, sobre se portar diante de entrevistas, preparar carta de apresentação, desafios dentro da empresa, etc. Dicas boas sem muita firula, sem passar mão na cabeça e indo direto ao ponto.

O que foi #Negativo

Sophia caga no pau…

Sophia é uma baita mulher, mas esperava uma atitude mais feminista, já que ela levanta tanto a bola das mulheres. Mas ao mesmo tempo que fala que “a melhor forma de honrar o passado e o futuro das mulheres é botando a mão na massa. Em vez de ficar sentada, falando sobre como eu me importo, vou arrebentar e apavorar”  (e ela levanta e apavora mesmo) alguns capítulos depois nas dicas sobre entrevista de emprego ela fala sobre o que não fazer em uma, e destaca “levar criança”. Isso me incomodou bastante. Porque mulheres empáticas abraçam as mulheres todas, e mães também são mulheres, Sophia! Ainda mais porque uma mulher que tem criança precisa muito trabalhar para sustentar mais do que os seus desejos e luxos, ela tem filhos para sustentar…e isso foi uma mancada feia.

O fato dela não ter frequentado a faculdade e ter chegado onde chegou pode ser uma dica ruim para quem está na transição ensino médio – superior. Embora eu tenha minhas ressalvas sobre educação, acho muito arriscado você que impacta tanta gente, inclusive adolescentes, falar de como você se deu bem escapando do colégio e do ensino médio, soa meio esnobe. Mesmo que ela esclareça que não incentiva, pode acabar apoiando.

Por fim, entre conselhos interessantes, frases inspiradoras de pensadores e algumas mancadas, gostei do livro. Acredito que a gente nunca deve seguir 100% os conselhos de ninguém e deve olhar para dentro e se descobrir, mas às vezes um bom conselho pode ajudar a despertar algo que está apagado dentro da gente ou até mesmo iluminar momentos de incertezas, e foram nestes pontos que o livro foi interessante para mim. Me ajudou a repensar no quanto eu sou mais que essa “nuvem negra” e resolvi me empenhar mais em melhorar e canalizar minhas energias para coisas que realmente valem à pena, tirei a nuvem negra e estou seguindo em frente. Se você está em um momento que a sua carreira ainda está começando ou com algumas incertezas, eu digo: leia este livro e tente fazer as conexões consigo mesma. E claro, aproveite para se divertir.

Uncategorized

1984 e Inteligência Artificial, suas relações e impactos.

1984georgecapa

Há uma tangência entre a distopia 1984 de George Orwell e os estudos sobre Inteligência Artificial (IA) no que se refere sobre a capacidade das máquinas observarem e captarem informações de forma quase imperceptível. Este cenário já não faz parte apenas da ficção, gradativamente a IA se insere no cotidiano e tem sido encarada de forma positiva. A facilidade e agilidade proporcionada pelo uso de serviços digitais tem contribuído para que mais pessoas se conectem e forneçam seus dados em plataformas digitais. Diante deste novo comportamento no uso de serviços digitais tem sido gerado uma larga quantidade de informações que precisam ser gerenciadas de forma segura e são também de grande valor para estudos comportamentais e observar novas perspectivas de consumo.  E neste contexto, a IA tem contribuído de forma eficiente no processamento destes dados para garantir segurança e inovação.

Devido aos avanços e melhorias da internet, estar conectado tornou-se fundamental, e as pessoas estão se sentindo mais à vontade e seguras ao fornecer suas informações para as empresas quando utilizam diversos serviços. Logo, cresce exponencialmente a quantidade de informações disponibilizadas pelos consumidores nas plataformas digitais. Esta grande quantidade de informações é compreendida como Big data, devido ao volume de informações provenientes dos mais variados sistemas. Nesta nova perspectiva da Era da Informação, surge a necessidade de saber como utilizar esta grande quantidade de dados de forma inteligente.

geral

A  AI tem exercido papel fundamental para suprir esta necessidade de realizar a leitura de dados de forma inovadora. Diversas tecnologias estão sendo desenvolvidas, estudadas e testadas para atender às empresas que necessitam gerenciar estes dados para diversos fins, proteger, gerar insights, conhecer melhor o consumidor entre outras possibilidades. E possível beneficiar tanto para quem fornece os serviços como para quem os utiliza.

A mais recente e valiosa tecnologia utilizada para a análise de dados é o deep-learning – cuja capacidade consiste em analisar uma grande quantidade dados a partir de sistemas neurais artificiais. Um dos diferenciais desta abordagem está na autonomia do seu funcionamento que pensa, age e aprende como um ser humano, dispensando a necessidade de um humano ou de um programador durante a execução. O sistema baseia-se em uma forma de aprendizado direto da base de dados.

O deep-learning tem causado grande euforia pela sua capacidade de ser aplicável em diversas áreas de pesquisas que utilizam dados, algumas empresas já estão utilizando a metodologia para resolver problemas, dentre eles:

  • Identificação de transações de cartão de crédito;
  • Reconhecimento de comando de voz;
  • Melhoria na capacidade de ferramentas de busca;

Desta forma,  tanto para serviços cujas necessidades estão atreladas aos pontos citados acima, como aos mais novos serviços que podem utilizar as vantagens providas pelo deep-learning para explorar novos comportamentos de consumo e traçar perspectivas sobre o uso e impacto na tecnologia em diferentes atividades. Todo dado analisado de forma inteligente é capaz de gerar informações relevantes para identificar potencialidades de desenvolver inovações de negócios.

Pensar em tecnologias que acessam as nossas informações remete de imediato à obra de Orwell devido ao seu pensamento crítico e visionário sobre a captura de dados e a ideias e de que viveríamos em um mundo observado a todo instante.

“A teletela recebia e transmitia simultaneamente (…) Fosse como fosse, uma coisa era certa: tinha meios de conectar-se a seu aparelho sempre que quisesse”

Apesar da perspectiva do autor sobre a tecnologia e a captura de dados ser um tanto amedrontadora e negativa, acredita-se no potencial positivo que a tecnologia e internet tem trazido para a vida contemporânea.

A presença da Inteligência Artificial no cotidiano se mostra positiva, sobretudo noa utilização de serviços que vão desde a alimentação ao lazer, tornando tudo mais ágil e rápido. Por consequência modificam-se comportamentos de consumo que estão cada vez mais intrínsecos às novas tecnologias e que demandam novas necessidades. Com um aparato tecnológico cada vez mais avançado e com a popularização do uso da internet mais dados serão gerados e novas tecnologias precisam atender a esta demanda.

E neste contexto a IA contribui de forma expressiva no processamento e uso desta grande quantidade de informações disponíveis, viabilizando para os clientes serviços cada vez melhores com resultados mais precisos. O impacto será positivo, se você estiver disposto a seguir no curso da inovação e da tecnologia. Ganham as empresas que poderão desenvolver produtos e serviços mais precisos e alinhados às necessidades, e também os consumidores que terão acesso a serviços cada vez mais inovadores e adequados às suas necessidades.

Uncategorized

Se parar cai

stop

Já é fevereiro, já é carnaval.
E ainda não fiz nenhuma publicação, vou adiando.
Mania que a gente tem de adiar, de procrastinar, e ir deixando,
para depois, para daqui a pouco, para segunda-feira ou para depois do carnaval.

Dizem que o ano só começa depois do Carnaval.
A gente tem mania de adiar tudo, adiar os começos, adiar o despertador, adiar os prazos.
Deixar para depois, deixar para lá. Quanto mais a gente vai deixando, mais a vida vai deixando a gente também. Não se pode parar, porque se parar cai.